9 trilhas no sul do Brasil para explorar a natureza
O sul do Brasil reúne algumas das trilhas mais deslumbrantes do país, entre cânions, florestas e campos. De Santa Catarina ao Rio Grande do Sul, cada rota oferece um contato único com a natureza. Veja nossa seleção com 9 opções para todos os níveis.
9 trilhas no sul do Brasil para explorar a natureza · imagem ilustrativa
O sul do Brasil concentra algumas das paisagens mais dramáticas do país: cânions com paredões de basalto, campos de altitude onde o vento sopra forte e florestas de araucária que parecem cenário de filme. As 9 trilhas selecionadas a seguir atravessam Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, com opções para iniciantes e aventureiros experientes. Cada rota traz um dado concreto, distância, desnível ou curiosidade, para ajudar na escolha.
1. Trilha do Cânion Itaimbezinho (RS/SC)
A trilha mais clássica do sul começa no Parque Nacional de Aparados da Serra, na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. São dois percursos principais: a Trilha do Vértice (4 km ida e volta, leve) e a Trilha do Cotovelo (6 km, moderada). Ambas correm pela borda do cânion, com vista direta para os paredões de 700 metros de altura. O parque cobra ingresso (R$ 44 em 2025) e exige agendamento online em alta temporada. Leve água, não há pontos de reabastecimento dentro da trilha.
2. Trilha da Borda do Cânion Espraiado (SC)
Localizada em Praia Grande, Santa Catarina, a trilha da borda do cânion Espraiado é mais curta (3,5 km ida e volta) e acessível, ideal para quem quer ver um cânion sem enfrentar grandes desníveis. O acesso é pago (R$ 30 por pessoa) e inclui estacionamento. O diferencial? Do mirante final, avista-se o Cânion Espraiado e, em dias claros, o Oceano Atlântico ao fundo. A trilha é bem sinalizada, mas o vento na borda exige cuidado com objetos soltos.
3. Trilha do Pico Paraná (PR)
O ponto mais alto da região Sul (1.877 m) fica no Paraná, dentro do Parque Estadual Pico Paraná, em Antonina. A trilha tem 11 km (só ida) e é considerada difícil: o desnível acumulado ultrapassa 1.200 metros. A recompensa é a vista panorâmica da Serra do Mar e, em dias limpos, da baía de Paranaguá. Exige autorização prévia pelo site do parque e é recomendada apenas para quem tem experiência em montanhismo. O percurso leva de 6 a 8 horas só na subida.
4. Travessia da Serra do Rio do Rastro (SC)
Diferente das trilhas de borda de cânion, a Travessia da Serra do Rio do Rastro conecta o alto da serra (a 1.400 m) até o Vale do Rio do Rastro, em Orleans (SC). São 18 km de percurso, com duração média de 6 a 8 horas e dificuldade moderada. O caminho mistura campos de altitude, matas nebulares e cachoeiras sazonais. Não há estrutura de apoio ao longo do percurso, leve lanche e filtro solar, pois boa parte é a céu aberto. Ideal para quem já fez outras travessias e busca um cenário menos conhecido.
5. Trilha do Morro da Igreja (SC)
Em Urubici, Santa Catarina, o Morro da Igreja (1.822 m) é o segundo ponto mais alto do estado. A trilha até o topo tem 7 km (ida e volta) e dificuldade moderada, com ganho de altitude de 400 metros. O percurso cruza campos de altitude e, em dias de frio intenso, pode apresentar geada ou até neve. O acesso é pago (R$ 20 por veículo) e o estacionamento fica a 2 km do início da trilha. No topo, uma placa marca o ponto mais alto da região, e o vento é constante, então vá agasalhado mesmo no verão.
6. Trilha do Cânion Malacara (RS)
Menos visitado que o Itaimbezinho, o Cânion Malacara fica no Parque Nacional da Serra Geral, em Cambará do Sul (RS). A trilha principal tem 5 km (ida e volta) e dificuldade moderada, com algumas subidas íngremes em meio a campos de altitude. O diferencial é a cachoeira que despenca dentro do cânion, visível apenas de alguns mirantes. O parque cobra ingresso (R$ 30) e o acesso é por estrada de terra (recomenda-se carro com altura do solo razoável). Leve repelente: em dias úmidos, os mosquitos aparecem.
7. Trilha da Pedra Furada (SC)
Em São Joaquim, Santa Catarina, a trilha da Pedra Furada leva a uma formação rochosa em forma de arco natural esculpida pelo vento. O percurso tem 8 km (ida e volta) e dificuldade moderada, com desnível de 300 metros. A trilha passa por campos de altitude e, na primavera, é possível ver flores como a sempre-viva. Não há cobrança de ingresso, mas o acesso é por estrada de terra (8 km a partir do centro de São Joaquim). O local é aberto, sem sombra, evite horários de pico do sol (12h-15h).
8. Trilha do Pico do Marumbi (PR)
No Parque Estadual Pico do Marumbi, em Morretes (PR), a trilha até o cume (1.539 m) tem 8 km (só ida) e é considerada difícil. O desnível acumulado chega a 1.100 metros, com trechos de escalaminhada (uso de mãos) e cordas fixas. A vista lá de cima abrange a Serra do Mar e a planície litorânea. Exige autorização prévia (gratuita) e é recomendada apenas para montanhistas experientes. O tempo médio de subida é de 4 a 5 horas. Leve capacete (há risco de queda de pedras em alguns trechos).
9. Trilha do Rio do Boi (RS)
A única trilha que percorre o leito de um rio dentro de um cânion no sul do Brasil. Localizada em Praia Grande (SC), na divisa com o RS, a Trilha do Rio do Boi tem 12 km (ida e volta) e dificuldade moderada a difícil. O percurso exige caminhada dentro da água (calcanhar de Aquiles: tênis molhado o tempo todo) e passagem por poços onde a água chega à cintura. A recompensa são as paredes do cânion vistas de baixo para cima. O acesso é pago (R$ 50 por pessoa, com guia obrigatório). Ideal para quem busca uma experiência imersiva, mas não para quem tem receio de água fria.
Qual trilha escolher?
- Iniciantes: Cânion Itaimbezinho (trilha do Vértice) ou Cânion Espraiado, curtas, bem sinalizadas e com infraestrutura.
- Intermediários: Serra do Rio do Rastro ou Morro da Igreja, exigem preparo físico, mas não técnica avançada.
- Aventureiros experientes: Pico Paraná, Pico do Marumbi ou Rio do Boi, exigem preparo físico, equipamento e, no caso do Rio do Boi, guia.
Perguntas frequentes sobre trilhas no sul do Brasil
Qual a melhor época para fazer trilhas no sul do Brasil?
O outono (março a junho) e a primavera (setembro a novembro) oferecem temperaturas amenas e menos chuva. No inverno, há risco de neve em altitudes acima de 1.200 m, o que pode fechar trilhas. No verão, as chuvas são frequentes e os dias quentes, ideal para trilhas com água, como o Rio do Boi.
Preciso de guia para fazer trilhas no sul?
Apenas em áreas protegidas que exigem, como a Trilha do Rio do Boi, que obriga guia credenciado. Na maioria dos parques nacionais (Itaimbezinho, Malacara), é possível fazer sem guia, mas recomenda-se contratar para quem não conhece a região. Verifique sempre as regras no site do parque.
Qual a trilha mais fácil entre as 9?
A Trilha do Vértice no Cânion Itaimbezinho (4 km ida e volta, leve) é a mais acessível: sem grandes subidas, com calçamento parcial e corrimão em alguns trechos. Ideal para famílias com crianças ou pessoas com pouca experiência.
Posso acampar nas trilhas?
Na maioria dos parques, o camping é proibido dentro das trilhas. Exceções: a Travessia da Serra do Rio do Rastro permite acampar em áreas delimitadas (consulte a prefeitura de Orleans). O Pico Paraná e o Pico do Marumbi não permitem pernoite no cume.
É seguro fazer trilhas sozinho no sul do Brasil?
Trilhas movimentadas como Itaimbezinho e Espraiado são seguras para solo. Já percursos isolados (Pico Paraná, Rio do Boi) exigem companhia, ou no mínimo deixar o roteiro com alguém. Sempre leve celular com bateria extra e informe o horário previsto de retorno.
Quais equipamentos são essenciais?
Calçado com solado antiderrapante (bota de trilha ou tênis de trekking), mochila com 2 litros de água por pessoa, protetor solar, boné, lanterna (em trilhas longas), lanche leve e uma jaqueta corta-vento, o tempo muda rápido na serra.

