Cultura Gaúcha

Massas caseiras sul: 11 tipos tradicionais para fazer

ResumoA tradição das massas caseiras do Sul do Brasil inclui 11 tipos como talharim, agnoline, capeletti, rondelli e nhoque. Cada massa possui formato e recheio específicos, com molhos recomendados, como ragú para talharim e caldo de galinha para agnoline. A prática é comum no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, valorizando receitas familiares e ingredientes locais.

Do talharim ao agnoline, a tradição das massas caseiras no sul do Brasil vai muito além do espaguete. Conheça 11 tipos que marcam a mesa gaúcha, catarinense e paranaense, com dicas de preparo e de molho para cada uma.

Bianca Külzer por Bianca Külzer · Repórter de cidades · · 8 min de leitura
Massas caseiras sul: 11 tipos tradicionais para fazer

Massas caseiras sul: 11 tipos tradicionais para fazer · imagem ilustrativa

A tradição das massas caseiras no sul do Brasil vem dos imigrantes italianos que se instalaram na serra gaúcha, no oeste catarinense e no norte do Paraná. Ainda hoje, muitas famílias preparam a massa no domingo, com o macarrão esticado no cilindro manual e cortado na faca. Se você quer fazer em casa, aqui estão 11 tipos de massas caseiras feitas no sul, do mais comum ao mais elaborado, com dicas de preparo e de molho para cada uma.

1. Talharim

O talharim é a massa caseira mais popular no sul. Feito com farinha, ovos e um pouco de sal, ele é aberto bem fino e cortado em tiras de cerca de meio centímetro. A massa levemente porosa absorve melhor o molho, por isso combina tanto com molho de tomate fresco quanto com molho de carne.

Na serra gaúcha, o talharim é tradicionalmente servido com galinha caipira ou com molho de ossobuco. Uma dica: deixe a massa descansar por 30 minutos antes de abrir. Isso ajuda a desenvolver o glúten e evita que ela encolha na hora de cozinhar.

2. Agnoline

O agnoline, também chamado de agnolotti, é um tipo de massa recheada típica da região de Caxias do Sul. Ele tem formato de meia-lua, com o recheio tradicional de carne moída refogada com alho, cebola e salsinha. A massa é aberta em folhas grandes e o recheio é disposto em pequenas porções antes de ser coberto por outra camada de massa.

A técnica de fechamento é o que diferencia o agnoline de outras massas recheadas: as bordas são pressionadas com os dedos para criar um acabamento ondulado. O agnoline costuma ser servido com molho de manteiga e sálvia ou com molho de carne bem encorpado.

3. Cappelletti

O cappelletti é uma massa recheada com formato de pequeno chapéu, que se originou na região da Emília-Romanha, na Itália, mas ganhou versão própria no sul do Brasil. O recheio mais comum é de ricota com espinafre, mas há variações com frango desfiado ou com carne moída.

A dobra do cappelletti exige prática: cada quadrado de massa é recheado no centro e depois as pontas são unidas, formando o "chapéu". Na região de Antônio Prado, no Rio Grande do Sul, o cappelletti é servido tradicionalmente em caldo de galinha, como prato de inverno.

4. Nhoque

O nhoque, ou gnocchi, é feito com batata cozida e amassada, farinha de trigo e um ovo. A massa é enrolada em cordões e cortada em pequenos pedaços, que podem ser marcados com um garfo para criar ranhuras. Essas ranhuras ajudam o molho a aderir melhor.

No sul, o nhoque é tradicionalmente servido no dia 29 de cada mês, uma tradição que veio da Itália. A receita mais clássica é com molho de tomate e queijo ralado, mas também é comum o molho de manteiga com sálvia. Para um nhoque leve, use batata seca, como a batata asterix, e pouca farinha.

5. Rondelli

O rondelli é uma massa recheada em formato de rolinho, feita com uma folha retangular de massa aberta bem fina. O recheio é espalhado por toda a superfície, e a massa é enrolada como um rocambole. Depois, o rolo é cortado em fatias de cerca de 2 centímetros, que são dispostas em uma assadeira com molho.

Os recheios mais comuns no sul são presunto e queijo, espinafre com ricota e frango com catupiry. O rondelli é assado no forno com molho de tomate e queijo derretido por cima, sendo um prato que rende bem para almoços em família.

6. Lasanha

A lasanha caseira no sul é feita com folhas de massa fresca, que são cozidas rapidamente antes de serem montadas em camadas. A massa fresca é mais fina e macia que a comprada pronta, o que faz diferença no resultado final.

A montagem tradicional inclui molho de carne, molho branco e queijo mussarela. Uma variação típica do sul é a lasanha de carne seca, comum nas regiões de colonização italiana e também na culinária tropeira do Paraná. Para facilitar, você pode montar a lasanha no dia anterior e assar no dia seguinte.

7. Ravióli

O ravióli é uma massa recheada em formato de quadrados ou retângulos, feita com duas folhas de massa sobrepostas. O recheio é colocado em pequenas porções sobre uma das folhas, e a outra é colocada por cima, pressionando as bordas para selar.

No sul, o ravióli de ricota com espinafre é o mais comum, mas também há versões com carne, com abóbora e com queijo. Ele pode ser servido com molho de tomate, molho branco ou apenas manteiga derretida com salsinha. Para quem quer variar, o ravióli de abóbora com molho de manteiga e nozes é uma opção sofisticada.

8. Tortéi

O tortéi é uma massa recheada típica de Curitiba, no Paraná, com influência da culinária polonesa e ucraniana. A massa é feita com farinha e ovos, aberta bem fina e cortada em círculos. O recheio tradicional é de batata com queijo, mas também há versões com repolho e com carne moída.

O tortéi é cozido em água fervente com sal e servido com molho de manteiga e cebola dourada, ou com molho de cogumelos. Na capital paranaense, é comum encontrar o tortéi em restaurantes de comida típica, sempre acompanhado de uma boa quantidade de queijo ralado por cima.

9. Pappardelle

O pappardelle é uma massa de fita larga, com cerca de 2 a 3 centímetros de largura, originária da Toscana. No sul do Brasil, ele é feito com a mesma massa base do talharim, mas cortado em tiras mais largas, o que dá uma textura mais consistente.

Por ser uma massa mais encorpada, o pappardelle combina com molhos robustos, como ragù de carne, molho de cogumelos ou molho de linguíça. A massa fresca cozinha em cerca de 3 a 4 minutos, então é preciso ficar atento para não passar do ponto.

10. Massa de pastel

A massa de pastel caseira é uma tradição que atravessa gerações no sul, especialmente em festas de família e em feiras livres. A receita leva farinha de trigo, água morna, sal e um fio de óleo ou banha, o que dá à massa uma textura crocante após a fritura.

A massa deve ser aberta bem fina, quase transparente, e cortada em círculos ou quadrados. O recheio mais tradicional é carne moída temperada com cebola, mas também há versões com queijo, com palmito e com frango. Para quem prefere assado, a massa também funciona bem no forno, desde que seja pincelada com gema.

11. Espaguete

O espaguete caseiro é menos comum que o talharim, mas tem seu lugar na culinária sulista. A massa é aberta e cortada em tiras bem finas, quase como fios, que podem ser arredondados com as mãos para dar o formato cilíndrico. Esse processo é trabalhoso, mas o resultado é um espaguete com textura muito superior ao industrial.

O espaguete combina com molhos mais leves, como molho de alho e óleo ou molho de tomate fresco. Uma dica é cozinhar o espaguete em bastante água salgada e finalizar o cozimento no molho, para que ele absorva o sabor.

Qual massa escolher?

Se você está começando, o talharim é a escolha mais simples, pois não exige recheio nem modelagem elaborada. Para um almoço de domingo em família, o rondelli ou a lasanha rendem bem e agradam a todos. Já se você quer impressionar em um jantar especial, o agnoline ou o cappelletti mostram técnica e tradição.

Considere também o tempo disponível: massas recheadas como agnoline e cappelletti demandam paciência e prática. Se o objetivo é um prato rápido, o nhoque ou o pappardelle podem ser preparados em menos de uma hora. O importante é usar ingredientes frescos e não ter pressa no preparo.

Perguntas frequentes sobre massas caseiras no sul

Qual a diferença entre agnoline e cappelletti?

O agnoline tem formato de meia-lua, com o recheio coberto por uma dobra simples da massa. O cappelletti tem formato de chapéu, com as pontas da massa unidas no topo. Ambos são recheados, mas o cappelletti exige uma dobra mais elaborada.

Qual a melhor farinha para massa caseira?

A farinha de trigo comum, do tipo 1, é a mais usada para massas caseiras no sul. Farinhas com maior teor de proteína, como a farinha especial para pão, podem deixar a massa mais elástica, mas exigem mais tempo de descanso.

Massa caseira pode ser congelada?

Sim, a massa caseira pode ser congelada por até 3 meses. O ideal é congelar a massa já cortada ou modelada, em uma superfície enfarinhada e depois em saco plástico. Para cozinhar, não é preciso descongelar, basta colocar direto na água fervente.

Qual o ponto ideal de cozimento da massa fresca?

A massa fresca cozinha muito mais rápido que a seca, geralmente entre 2 e 4 minutos, dependendo da espessura. O ponto ideal é quando a massa sobe à superfície da panela e fica al dente, ou seja, macia por fora e levemente firme no centro.

Posso fazer massa caseira sem ovos?

Sim, é possível fazer massa caseira apenas com farinha e água, como é o caso da massa de pastel. Porém, o ovo dá cor, sabor e ajuda a ligar a massa, deixando-a mais macia. Para massas recheadas, o ovo é quase indispensável.

Qual molho combina com cada massa?

Massas longas como talharim e espaguete combinam com molhos leves, como tomate fresco ou alho e óleo. Massas recheadas como agnoline e cappelletti pedem molhos delicados, como manteiga e sálvia. Massas gratinadas como rondelli e lasanha levam molho de tomate e queijo.

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